domingo, 22 de novembro de 2009

Repensadores, mais do que um repensar, um reaprender a trabalhar

Conheci Otávio Dias, quando ele estava quase começando com nossa querida amiga comum, Beatriz Freitas dona e idealizadora da pioneira Zest, uma das principais agências de marketing direto do país na sua época. Isso era provavelmente 1994. Quando abri a Behavior, a Zest foi um dos meus primeiro clientes e, visionária ou louca, comprou dois dos serviços que demoraram muito tempo a decolar: o Vôo de Águia e a segmentação Estilos & Estágios.


O primeiro consistia num encontro quinzenal com toda equipe na qual ajudava a 'ampliar a visão sobre o todo' trazendo informações correlacionadas que tinham a pretensão de 'oferecer outros pontos de vista'. O segundo foi um dos trabalhos mais profundos que realizei durante aproximadamente 2 anos, observando e estudando os valores, atitudes e comportamentos do brasileiro, para aplicar nele, de forma genérica, uma segmentação por estilo e estágios de vida. Esse modelo até hoje me pauta nas minhas análises.



Dessa época pra cá, Otávio e eu fomos seguindo nossos caminhos mas sempre nos cruzando, reflexo da consciência que somando experiências conseguíamos ir mais longe. Acredito que seja por essa crença de troca, que Otávio decidiu criar a rede Repensadores. Originado a partir da revista Think & Love (www.thinkandlove.com.br) essa rede começou timidamente convidando algumas pessoas a escrever no encarte veiculado junto com a revista. A rede foi tomando corpo ao ponto de haver a necessidade de extrapolar a colaboração na revista e se tornar de fato uma rede na qual a troca e soma sejam amplas e verdadeiras. 


No nosso último encontro, Alexandre Sayad, também repensador, disse algo que me fez refletir: numa rede como a nossa de "gaviões e não de andorinhas" o trabalho colaborativo, se rico por um lado, por outro exige de todos nós mais esforço para funcionar. Concordo plenamente. Hoje se fala muito no trabalho colaborativo, evolução do termo 'parceira', mas poucos conseguem colocar esse desejo em prática. Para mim uma das dificuldades que percebo é o desejo ainda muito latente nas pessoas pela Autoria para o Reconhecimento. Só que num grupo de 'gaviões', no fundo, não há um líder, mas todos os são, o que implica que soltada um idéia, cada um vai fazendo sem muito comando, e o resultado, se não teve a forma prevista, com certeza é - ou deveria ser - maior do que o resultado oriundo duma liderança guiando os outros.


Para isso deixar feliz o grupo, deve se abrir mão da liderança sobre os outros e da idéia que a forma prevista por nós é a melhor. É claro que é importante que haja sintonia para que a improvisação dos 'músicos' gere uma orquestra exuberante e melodiosa. O que na prática, não é fácil porque até a forma como somos remunerados, tem a ver com a autoria do líder. Teremos que quebrar muitos paradigmas ainda para agirmos de fato colaborativamente em todos os campos.


Otávio sabe disso, e corajosamente está tentando: abriu espaço para a rede Repensadores no HSM ExpoManagement 2009 onde todos nós da rede, estaremos palestrando dentro do auditório Repensadores (veja conteúdo e calendário no www.repensadores.com). 


A Behavior estará presente apresentando o case: Essência Corporativa O Boticário. Pensando na platéia convidei Andrea Mota, Diretora de Mercado do Boticário, para fazer dobradinha comigo no palco e poder trazer um conteúdo mais profundo e abrangente para quem for nos assistir. Novamente o pensar colaborativo em busca do melhor, porque a única forma de aprender é fazendo.


Espero vocês lá!


Serviço: 
HSM ExpoManagement SP
Auditório Repensadores 
Palestras Rede Repensadores de 30/11 a 02/12.



Palestrantes:
Andrea Mota - Diretora de Mercado O Boticário, e
Nany Bilate, sócia - diretora Behavior
terça-feira, 1 de dezembro das 13h30 às 14h30.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A decisão que mexe com as pessoas.

Desde que meu marido, Nélio Bilate resolveu sair da Nissan e com isso deixar o mundo corporativo como executivo, tem sido alvo de curiosidade e questionamentos. Foi uma decisão tomada com calma, que levou 2 anos e meio para se concretizar. Portanto, não foi dolorida, abrupta nem gerou nele urticária em relação ao mundo corporativo. Pelo contrário. 


Sem arrependimentos ele sempre fala com carinho de tudo o que viveu e aprendeu.  Temos, é claro, muitos amigos que ainda estão  nesse mundo. E gostamos muito deles.
Mas parece que decisão de deixar o aparentemente certo (salários, benefícios) e principalmente o status (isso sim gera mais surpresa) mexe com as pessoas de alguma forma. Ao ponto dele ter sido entrevistado tanto pela Você SA como pelo programa de televisão Lado H da Fashion TV para falar exatamente sobre isso.


Desde que chegamos em São Paulo após a saída da Nissan, ele tem tido uma rotina de almoços e palestras para falar sobre isso. Por que tanta curiosidade? Creio que se deve a um momento especial que nosso Planeta e nós os seres que o habitamos estamos vivendo: tempo de repensar valores. As crises e problemas atmosféricos e pessoais abrem caminho para esse momento muito rico da humaniade.


Não foi essa nossa intenção quando decidimos (porque sim, é uma decisão de casal e de familia, tenha certeza disso) mudar de vida. Mas se conseguimos ajudar de alguma forma às pessoas e o mundo com isso, que assim seja!


Boa semana a todos.


Entrevista Você SA
http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/senhor-aneis-484742.shtml


Entrevista no programa Lado H da Fashion TV
http://www.youtube.com/watch?v=w_-KPZZrH4Q



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Qual é a Essência da sua empresa? - by Leonardo Barci

Um amigo, o Leonardo Barci, me enviou esta reflexão sobre a essência nas empresas. Gostei e quero compartilhar com vocês.


"Estive nos últimos dias pensando em um conteúdo para uma matéria para o blog euporummundomelhor.blogspot.com.  Resolvi escolher como tema, a essência das empresas. Descobri que é difícil encontrar uma empresa que pratique o que reza seu contrato social na íntegra.


Escrevo esta matéria enquanto espero o ônibus da companhia aérea que faz o trajeto de Guarulhos até Congonhas. Esta mesma companhia a princípio deveria me levar de volta de São Paulo para Curitiba, cidade onde moro.

Tenho a unidade principal de minha empresa em São Paulo o que faz com que passe boa parte do tempo viajando. Sinceramente não me incomodo de viajar. Faz parte da minha vida como empresário. O que me incomoda neste momento? A dificuldade das pessoas em se lembrarem da essência da empresa. Para iniciar a conversa, enquanto espero, fui buscar o missão e a visão da empresa. Veja você e reflita.


Missão:
Ser a companhia aérea preferida das pessoas, com alegria, criatividade, respeito e responsabilidade.


Visão:
Trabalhar com o Espírito de Servir faz as pessoas mais felizes.


Nossa política:
1ª Regra: O cliente sempre tem razão.
2ª Regra: Se o cliente alguma vez estiver errado, releia a 1ª regra.

Penso neste momento se tudo isto que está “pendurado em um quadro” no website da empresa realmente esta sendo praticado. Pelo fato de morar em Curitiba, sei que é algo natural que um vôo matutino ou noturno sofrer alguma alteração ou problema por conta da meteorologia. Bom, sei que isto acontece desde a fundação do aeroporto. Aliás curiosamente foi este o motivo de ser criado um aeroporto militar no local quando de sua construção original.

Minha pergunta é, por que a empresa não se prepara diariamente para situações como esta que vivo? Parece que é a primeira vez que isto acontece na empresa. Qual a situação que vivo neste momento? O vôo foi cancelado depois do embarque. Estava lotado. Nele estava inclusive todo o time do Atlético Paranaense. Ao descer do avião, recebi a informação que já estava alocado em um vôo no dia seguinte que sairia de Congonhas e não mais de Guarulhos. Soube ainda que as para as pessoas que fizeram o check-in em São Paulo a empresa não arcaria com o custo do hotel na cidade.


O que me incomodou e me fez parar para pensar:
- Agora são meia noite, sábado, estou voltando de um congresso interno de nossa empresa. Ainda estou no aeroporto buscando uma forma de encontrar uma cama confortável. Naturalmente estou cansado e adoraria estar em casa

- O ônibus que me levaria para Congonhas não está no local marcado. Fui “barrado” de entrar em um ônibus que fará o mesmo trajeto mas leva neste momento a tripulação com pouco mais de 10 pessoas a bordo. O restante dos lugares está vazio.


- Não há ninguém da empresa por perto para dar informações.


- Não há ninguém que tenha me indicado o local mais próximo para dormir. Não acho que a empresa seja responsável por arcar com os custos mas acho adequado que me levem para algum lugar para que possa dormir confortavelmente até o dia seguinte.


A despeito de toda a frustração, reflito em tudo o que aconteceu e se as pessoas que fazem as empresas, se lembram sobre a missão, visão e valores.



Conversando com dois amigos da empresa há alguns dias, falamos sobre o que significa Contrato Social. Em minha visão é o acordo que a empresa faz com a sociedade sobre o tipo de produto e serviço que entregará para ela. As empresas só existem para cumprir algum papel social. Sempre.


O segundo termo que conversamos foi “Pessoa Jurídica”. A empresa é em última análise uma pessoa. Representada por pessoas. No caso em que vivo, faltou pessoalidade. O problema é da “empresa” e não mais das pessoas. “Alguém” da empresa irá resolver. Mas esta pessoa não tem uma única identidade. Ela é a soma de várias identidades. Portanto TODOS são responsáveis pela solução. Aliás porque escolheram trabalhar nesta e não em qualquer outra empresa. Deveria ser pela missão.


O que faz com que a empresa cumpra seu “Contrato” com a sociedade? O resgate da essência da sua essência. Aquilo que ela se dispôs a fazer quando nasceu. Aquilo que está escrito em sua missão.


Lembre: Qual a Essência de sua Empresa?".


Leonardo Barci


É isso mesmo, Leo, qual é nossa Essência?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Quando se criam Alianças

Há palavras que com o tempo vão ficando banais pelo uso excessivo perdendo todo o seu significado. Ao meu ver a palavra Parceira é uma delas. Quando conhecemos a origem da palavras vemos que traz o significado 'entre iguais'. Parceiro vem do latim partiarius, que significa 'igual, semelhante'.
Creio que na prática fica difícil trabalhar plenamente com este significado porque não costumamos considerar o outro igual a nós já que ele é diferente. Costumamos ter dificuldade em aceitar as diferenças e colocar o outro no mesmo nível de nós. Ou ele está acima, ou ele está abaixo. Outro ponto que hoje me distancia desse termo deriva que para considerar o outro 'igual', muitas vezes é necessário medi-lo e costumamos realizar um contrato que estipule a nossa 'igualdade'. Portanto, a nossa Parceria é estipulada por algo externo.
Tenho preferido usar o conceito de Aliança que deriva de Aliar (do latim alligare) e traz consigo o significado de 'reunir, juntar e associar'. Não há comparação, há união. Aliança significa, para mim, um pacto feito entre homens. Para mim, volto a dizer, esse pacto é maior do que qualquer contrato, muitas vezes ele nem é estipulado por contrato, porque o motivo dessa Aliança, são crenças e valores intrinsecos à relação, sabidos e reconhecidos por todos, mas que nunhum papel é capaz de conter.

Aliança para mim, é o que o Dr. Miguel Gellert Krigsner fez com seus franqueados quando começou O Boticário. Aliança, para mim, é o que Artur Grynbaum, atual presidente da indústria, e seus diretores estão fazendo com a nova geração de franqueados e novos franqueados. Aliança que é renovada a cada convenção de franqueados. Vai além do negócio. E todos sabem disso. Qualquer análise que tente descrever em palavras ou gráficos fica pequena perante o que envolve a marca O Boticário com sua rede.

Acredito que Aliança é realizada no plano pessoal. Você pode fazer no trabalho, na comunidade, com a liderança política ou na sua casa, com seu companheiro, companheira. Tenho vivenciado isso com meu marido e faz pouco tempo que me dei conta disso. O que nos une hoje são crenças, são valores compartilhados e o desejo de agirmos em sintonia. O amor, a paixão e amizade fazem parte, sem dúvida. Mas hoje me pergunto se eles sozinhos nós traria tanta união. Não sei.

Além da vida de casal, decidmos exteriorizar nossa aliança de uma outra forma e resolvemos trabalhar juntos e lançamos um workshop: Encontrado a minha Essência (para ser mais feliz). Espero, claro, que dê certo. O que neste momento é importante para mim é mais este passo que estamos dando para um caminho compartilhado sendo parceiros e aliados.